Offline
Rádio Carandá Web

Mestre da viola de cocho, Agripino morre aos 101 anos em Corumbá

Mestre da viola de cocho, Agripino morre aos 101 anos em Corumbá

Agripino morreu na manhã deste domingo, mas deixa legado cultural: viola de cocho, siriri e cururu

Na cama, com a saúde fragilizada aos 101 anos, mas ainda com disposição a sorrir. Assim era Agripino Soares de Magalhães, que morreu na manhã deste domingo (dia 26) em Corumbá, mas deixa o legado de ser um mestre. Graças a ele, sobrevivem a viola de cocho, o cururu e o siriri.

“Ele morreu hoje de manhã, em casa. Já estava fraquinho e morreu naturalmente, como a vida dele aconteceu. Até à semana passada, quando o visitei, estava deitadinho na cama, mas dando risada”, afirma Márcia Rolon, diretora do Moinho Cultural, instituto onde as artes se encontram em Corumbá.

No decorrer deste ano, mestre Agripino chegou a ser internado algumas vezes, mas sempre voltava para o lar, onde morava com dona Madalena, sua esposa.

“É o nosso maior mestre do saber”, afirma Márcia Rolon, rememorando quando aos 14 anos estava entre os bailarinos que aprenderam a dançar cururu e siriri nos passos do mestre Agripino.

“Nós devemos tudo a ele. Foi a primeira vez que ele saiu do comum, que era a cultura de fazenda, e entrou numa academia para ensinar os bailarinos a dançar o folclore. É um ensino que veio exclusivamente dele”, afirma Márcia Rolon.

Outro feito importante para a cultura de Mato Grosso do Sul, graças ao trabalho de mestre Agripino, foi o registro da viola de cocho em 2005 como patrimônio imaterial no Livro de Saberes do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

Agripino Soares de Magalhães nasceu em 1918, no Mato Grosso. Foram mais de 70 anos de união com Maria Madalena Magalhães. A família tem 12 filhos, sendo seis vivos, e mais de 30 netos e bisnetos.

“Ele morreu de causas naturais, o coração estava cansado e teve insuficiência cardiorrespiratória. Ele foi um pai para mim. Era forte, trabalhador. Ele amava tudo o que fazia. São boas lembranças”, conta a neta Silvia Helena Magalhães Baracat, 33 anos.

Nas recordações, lembra que a fama do avô surgiu em Mato Grosso do Sul, atravessou o Brasil e chegou ao exterior. “Agora no final, colocava siriri para ele escutar e ele se alegrava. A história dele continua”, diz a neta.

Mestre Agripino será velado a partir das 13h na capela Cristo Rei e será sepultado às 16h no cemitério Santa Cruz, ambos em Corumbá. 

Fonte: Campo Grande News

Compartilhar
Leia também